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“No mundo ao avesso, a educação não compensa”

“No mundo ao avesso, a educação não compensa” por Eduardo Galeano



Se Alice voltasse:
Há mais de 130 anos, depois de voltar do país das maravilhas, Alice entrou em um espelho para descobrir o mundo ao avesso. Se Alice renascesse em nossos dias, não precisaria atravessar nenhum espelho: bastaria que chegasse à janela.

No mundo ao avesso, a educação não compensa. O ensino público na América Latina é um dos setores mais castigados pela nova situação do trabalho. Os professores recebem elogios, são homenageados com discursos afetados que exaltam o trabalho abnegado dos apóstolos dos magistério que, com suas mãos amorosas, moldam a argila das novas gerações; e, além disso, recebem salários que só se enxergam com lupa.  

O Banco Mundial chama a educação de “um investimento em capital humano”, o que, de seu ponto de vista, é um elogio, mas, num informe recente, propõe como possibilidade reduzir os salários dos professores nos países onde “a oferta de professores” permite manter o nível docente.

Reduzir os salários? Que salários? “Pobres, mas docentes”, diz-se no Uruguai.







Eduardo Galeano, A escola do mundo ao avesso. P. 184-185. 



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